O DUALISMO DA MORTE E DA VIDA
O filósofo Frances La Rochefaucauld tem
uma frase fundamental sobre a morte: “não se pode olhar de frente nem o sol e
nem a morte. E o que ele quis dizer sobre isso? Esta dizendo que nós seres
humanos, somos incapazes de enfrentarmos a própria morte. Somos incapazes de encararmos
a própria morte. E com essa frase emblemática se olharmos o sol de frente cegamos e se tentamos olharmos a morte de frente nós nos perdemos. E com esta frase esta tentando nos
dizer mais uma vez que vida e morte são inconciliáveis. Que vida e morte são termos que não pode estar
em consonância. O ser humano sempre teve alguma proximidade com a morte pois a
morte sempre está e estava presente no cotidiano e participando na organização
da vida. No cristianismo a morte foi vencida pela ressurreição de Cristo e o
dualismos da filosofia reforçou a ideia de que morte é o posto da vida. E que
assim aos poucos a morte foi seno banida do nosso cotidiano e nos dias de hoje
um lugar misterioso oculto no nosso subconsciente na negação de nosso própria
condição humana. E o que pensamos sobre a morte? Se a morte é inevitável pra
que pensar nela. E para lembra que nossa vida e a de toda pessoas que gostamos
um dia acaba. E se a morte é uma certeza porque não pensarmos sobre ela. A morte
sempre é encarada como uma ameaça e quem sabe se pensarmos sobre a morte nos
ajude a aproveitar melhor a vida.
O historiador Frances Philippe Áries que
tem um grande trabalho intitulado “ensaio
sobre a historia da morte no ocidente: da idade média aos nossos dias” defende a ideia que o homem ocidental expulsou
a morte da vida cotidiana. Ocorreu uma passagem muito longa e progressiva da
morte tal como ela era vivida, ainda na idade média, como um ato familiar para
uma morte, reprimida e proibida dos nossos dias. É que no entender de Philippe
Áries o ocidente aos poucos passou a considerar a morte como um fato
extraordinário. E justamente por isso o ocidente caiu na tentação de procurar a
todo custo fugir da morte. E nós seres
humanos, homens e mulheres contemporâneos, como nós encaramos a morte?
Hoje vivemos uma situação paradoxal com a
banalização da morte a banalização da vida. Fala-se de morte o tempo todo e nos
parecer como um fenômeno corriqueiro um fato biológico igual ao envelhecimento
a puberdade como um fato social em taxas de natalidades e óbitos – a morte como
fenômeno demográfico: populações decrescente, populações ascendentes,
populações jovens. Mais a morte como fenômeno letal para as mídias e para medicina como um fenômeno explicável,
investigado. A morte como um fenômeno natural. Em tão nos nossos dias banalizou-se
a morte como um produto de consumo apropriado pelo capital.
Cabe então a pergunta: por que a morte é
sempre vista como uma espécie de escândalo? Por que este acontecimento tão
banal que nos cerca em nosso dia a dia, provoca ao mesmo tempo horror e
curiosidade? É que de um lado da contemporaneidade temos a banalização da morte
mais de outro temos que enfrentar com o caráter desconcertante da morte. De um
lado a morte é um fato dentre outros em que a burocracia da sociedade leva ao banal
e corriqueiro dos atos aproximando aos atos de compaixão e amor.
Não é por acaso que Eros o deus grego do
amor e representado por um traço de uma criança. O amor é sempre novo par quem
para aqueles que o vivem. A morte de nossos entes queridos sempre é um fato
novo. Nós não aprendemos com a morte. Nós não nos conscientizamos com a morte. A
morte é irremediável por isso sempre é uma negação cultural e religiosa no
ocidente que nos leva a não aceitamos a morte.
Poema de Natal
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Desta forma devemos raciocinar de outra maneira.
Resgatar a consciência antiga e nos desvencilhar da morte não como um fim mais
apenas como um começo. Pois a percepção da morte no ocidente é por de mais
materialista e esquecemos que somos espíritos e como tal a morte é apenas a
libertação de nosso corpo físico e a nossa consciência permanecerá em nosso espírito.
A morte e libertadora.

dualismo filosófico
ResponderExcluir