O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA

Durante todo o processo evolutivo do homem, a consciência primitiva que nos foi há muito conferida, também evoluiu. O instinto é cada vez menor e inversamente proporcional à evolução do pensamento. A razão começa, timidamente, a vencer a irracionalidade. Encontrava-se implementado, definitivamente no ser humano o Livre Arbítrio e, ao mesmo tempo começa a florescer uma pequena e “mágica semente”. Esta aguardaria, no mais íntimo recanto da alma, o momento propício para florescer; para explodir tal qual a força do Big Bang; uma semente representa o objetivo de todo o desenrolar da sublime “trama divina”; uma semente que representa o objetivo de todo o desenrolar da energia de Deus consequente a toda jornada humana empreendida através dos milénios e dos mundos.
Durante as próximas eras o homem evoluiria aprendendo a levantar-se após a queda, tal qual criança, e herdaria todas as consequências dos seus próprios atos. A sua primitiva e equivocada consciência de poder o faria supor-se superior a tudo o que o cercaria. Durante muito tempo pensaria ser o centro do universo. Em sua experimentação imaginar-se-ia cada qual e superior proprietário de tudo o que toca ou vê. O seu semelhante, a consequência do seu ego, tornar-se-ia o seu joguete predileto, sempre passível de destruição quando não mais despertasse o seu interesse ou quando viesse a torna-se concorrente dos bens materiais que julgaria lhe pertencer.
Na sua primitiva simplicidade e deslumbramento com os instrumentos da vida colocados à sua disposição, trocaria os sentidos do “Ser” pelo “Ter” e cresceria mergulhando na maior chaga da humanidade: o egoísmo. Este, como principal causador de todos os demais males, viveria viveria com o homem a partir de então. Por ele escravizaria o seu irmão, derramaria seu sangue séculos após século, guerra após guerra, tortura após tortura. Utilizaria toda a sua energia e todos os seus esforços para conquistar e possuir. Conheceria o medo e a angustia, praticaria o terror para impor sua vontade e ambição, sempre em detrimento dos seus semelhantes. Da mesma forma que causou a extinção do Neanderthal, apenas por suas diferenças e pela competição, se empenharia em muitas lutas sangrentas para subjugar e destruir seus irmãos de credos e cores distintas, sem perceberem que descendem do mesmo ventre africano e da mesma emanação de amor.
Quando refletimos sobre isso, o ser humano mais parece uma anomalia no plano divino, tanto que algumas doutrinas pregam que Deus teria, absurdamente, se arrependido da sua criação; o que não passa de um ledo engano. Não há falhas ou imperfeição na criação e no Criador. A consciência humana, como tudo no plano divino, também precisa evoluir. Para a sua mais importante jornada nesse ciclo evolutivo, importa conhecer e vivenciar todas as situações antagónicas que lhe são colocadas como meio de experimentação.
Para o materialista que vê somente a matéria ou a vida presente às suas vistas, tudo pode parecer com imperfeições, momentos falhos ocorridos na execução da obra divina. Os homens costumam avaliar a perfeição de Deus a partir do ponto de vista humano; medem a sabedoria da Providência pelo juízo que dela fazem e julgam que Deus não poderia fazer algo melhor que eles próprios faria. Não tendo a visão do ontem e do amanhã, não estando além dos mundos, não penetrando no íntimo das almas, faltam-lhes sempre os conhecimentos necessários para o correto julgamento dos atos do Criador.
Somente observando e vivenciando o mal, conhecemos e desejamos o bem; somente na escuridão, valorizamos a luz; somente na doença, pedimos a saúde; somente na dor, reconhecemos a nossa fragilidade, somente a angustia e o medo nos torna humildes; somente caindo, aprendemos a nos levantar e somente tomando consciência plena dos nossos atos, poderemos aprender a respeitar tudo que existe na criação. Ao experimentarmos o processo da vida damos um importante passo em direção a uma consciência plenamente desenvolvida. Atingindo-a, estaremos prontos para retornar às “mãos” do Criador fortes em espírito, puros de coração e completamente desfeitos da influência da matéria.
Por meio de todas as dores e angústias que vivenciaria em sua jornada é que o homem saberia tão bem pintar ou representar as figuras do inferno, que não se encontra em um lugar físico, mas se refere a um estado da alma. Na sua condição ainda inferior, experimentou as misérias e tormentos de si, para um dia alcança-lo; o mal e os tormentos que deixou no passado, desejando esquecê-los e superá-los.
Nesse divino processo, um dia lhes seria destinado um “Ser de Luz”. Este lhes mostraria que o céu tão esperado se encontraria em todos os lugares e estaria no íntimo de cada ser humano. Compreenderia, a partir de então, que uma transformação interior, uma iluminação do espírito, realizada a partir da evolução da consciência, lhes daria a chave daquilo que almejam como “céu” e a possibilidade de viajarem pelos mundos sem fim.
Deus não foi menor ou menos poderoso por criar o universo de forma lenta e gradual, seguindo as leis da natureza. Não foi menos Deus por ter levado 7 milhões de anos construindo o corpo humano e mais outros milhares de anos desenvolvendo a sua consciência até que atingisse o estágio atual. Também é fato que o fez por analogia do barro, do limo ou do pó da terra, mas não como um ato de magia sugerido equivocadamente pelos textos bíblicos, após tantas traduções e interpretações. Desde a concepção, colocada e fecundada a primeira semente no útero feminino, a vida começa a duplicar-se em progressão geométrica; uma para dois, dois para quatro, quatro para oito… E assim por diante, até formar, após nove meses, um organismo perfeito contendo trilhões de células organizadas pela orquestração do DNA.
Cada célula para desenvolver-se precisou absorver os nutrientes ingeridos pela mãe, provenientes da terra ; do barro. Por esse motivo, o corpo humano é formado basicamente por água e pelos sais encontrados na terra, e a este estado um dia retornará quando decomposto após a morte física incorporando-se novamente a natureza. É formado pelo limo da terra ou pelo barro, falando em linguagem figurativa, e incorretamente interpretado nas sucessivas traduções dos livros sábios da antiguidade. O corpo humano, em síntese, se compõe dos elementos da matéria inorgânica, ou pela limo da terra.
Já a mulher, descrita na Génese como feita de uma costela de Adão, se admitido ao pé da letra, adquire um sentido absurdo e pueril. No entanto, trata-se apenas de uma alegoria para explicar que esta tem a mesma natureza do homem e que é, por conseguinte, igual a este perante Deus. Procura originalmente mostrar que a mulher não era uma criatura à parte, concebida apenas para servir e ser escravizada, dado os costumes da época.
Moisés, em sua prodigiosas parábolas, afirmou que o homem foi construído do pó da Terra pelas mãos de Deus. A ciência moderna hoje nos diz que somos poeira de estrelas, significando a mesma coisa que o profeta procurou explicar há mais de 30 mil anos.
Durante todo o Séc. XX a ciência e os biólogos se maravilharam com as primeiras descobertas da evolução, colocando-as em primeira análise como uma casualidade da natureza. Hoje, podemos afirmar que nada no universo é casual, e que não existe um só efeito sem causa. Define-se assim a evolução do planeta, desde os primórdios, preparando a habitação definitiva para abrigar e evoluir a raça humana. Esta surge e inicia a sua jornada crescente, passo-a-passo, construída e alçada ao encontro de Deus.
O processo de espiritualização caminha do material para o espiritual, através do conhecimento e do desenvolvimento da vida interior até atingir a compreensão absoluta do espírito universal de Deus. A matéria e a energia sozinha não seriam suficientes para harmonizar o universo e a vida, sem o magnífico e divino planejamento que os envolve. Mais tarde compreenderíamos que a verdadeira vida, experimentada tanto no animal como no homem, não é vivida pelo corpo, do mesmo modo que a consciência de cada um não se espelha naquilo que veste. Tudo reside no principio inteligente que antecede a vida corporal e a este sobrevive. Esse princípio carece de um corpo material para se desenvolver pelo trabalho e experimentação. Findo esse trabalho, o corpo irá consumir-se e reintegrar-se à natureza; o espírito, no entanto, sairá cada vez mais fortalecido, mais lúcido e sábio; curtido pelos inúmeros processos que envolve a vida.
No gênero humano evolui através de diversos estágios desde a sua formação primitiva. Nos mais primitivos, existe quase uma total coincidência com os processos animais; no estágio seguinte aprende a dominar os instintos animais, mas ainda encontra-se preso à satisfação e necessidades próprias da matéria. Em seguida, entra no estágio em que aprende a compensar os apelos manterias e os sentimentos morais; experimenta, então, a necessidade de dominar e com isso aprende a destruir. Na medida em que se desenvolve, o senso moral se sobressai, cresce a sensibilidade e acaba a necessidade de destruir. O homem adquire então verdadeiro horror ao sangue. Mesmo assim, ainda está longe de atingir a perfeição. Somente passando por muitas experiência e muitas vidas, conseguirá despojar-se dos últimos vestígios de sua animalidade original. Mas todo esse processo não é inteligível aos que crêem na unicidade da existência humana criada a partir de muitos dogmas religiosos.
Depois de conquistar todos os continentes, o ser humano continuou o seu processo de aperfeiçoamento, mas a perfeição humana, a eliminação da dor e do sofrimento, somente serão alcançados quando o homem aprender a desenvolver a vida interior, compreender o significado do Criador e vivenciar o seu espírito, realizando na terra o Reino dos Céus, através da conquista do amor e da consciência plena.
Trecho do Livro: Evolução. A Jornada do Espírito
Paulo Guilherme Almeida
Editora: IBRASA – São Paulo
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