OS BANCOS NO BRASIL

Em todas as épocas e em todos os lugares, os bancos sempre foram poderosos. Ditadores de normas e regras que agridem o interesse público. No Brasil esta regra se tornou quase uma norma. E os bancos deitam e rolam. A começar pelo próprio banco central brasileiro que se diz independente. Mais independente de quem? – Lógico, independente de uma politica voltado aos interesses nacionais e com exclusividade dos interesses do capital especulativo financeiro. Não é a toa que temos um presidente do Banco Central ex-presidente do Banco de Bóston. Os balanços dos principais bancos privados e públicos, mostram lucros exorbitantes que chegam a ser inacreditáveis. Enquanto a nossa economia estaciona na mediocridade, enquanto a maior parte dos brasileiros se afunda na divida dos juros excessivos, os grandes conglomerados bancários dançam sobre os nossos espólios. A explicação para tal lucrativamente, tirando, a usura, nem os bancos se atrevem a comentar. O discurso é da excepcional eficiência e competência que espantaria até Adam Smith pai da economia moderna que com todos os seus méritos não poderia imaginar. A explicação é simples: os bancos detêm grande poder político e de mercado. São poucos os setores da sociedade brasileira com tanto poder. O sistema bancário é muito centralizado e com um grau de concentração fora dos padrões aceitáveis. Poucos bancos detêm a quase totalidade dos ativos, dos depósitos e do capital. Um punhado de casas bancárias comanda o mercado. A competição inexiste pois todos mantêm os mesmos patamar de operacionalidade. Os bancos têm poder de mercado em face dos seus depositantes serem achacados por pesadas tarifas de serviços bancários, especialmente aos pequenos clientes, que não sabe se defender dos processos automatizados do sistema bancário. Além disso praticam taxas elevadíssimas nos empréstimos que fazem a empresas e pessoas físicas com seus empréstimos compulsórios, cartões cintilantes de taxas e juros selvagens. O chamado “spread” bancários, que é a diferença entre as taxas de empréstimos e as de captação, é muito alto, mesmo com a redução sistemáticas dos juros do Banco Central. Em operações com recursos livres, para pessoas jurídicas e físicas o “spread” médio com sua composição (resíduo do banco, custo administrativo, cunha tributaria, inadimplência, compulsório) foi de 29 pontos percentuais em Agosto, segundo o Banco Central. Essa é uma das principais razões do reduzido nível de crescimento da economia brasileira. O poder económico dos bancos é assustador, com os seus tentáculos no legislativos e no judiciários ora com aprovações de leis ora com sentenças sempre favoráveis ao sistema bancário, sustentado por uma amplas rede de lobby vigilante e promíscua. O notável Copom (comité de política monetária do Banco Central) é uma espécie de comitê executivo da Febraban (Federação dos Bancos Brasileiros). Entra governo, tanto de direita como de esquerda, o quadro não muda: a diretoria do Banco Central é sempre dominada por pessoas que vêm do sistema financeiro ou que para lá desejam ir (e vão). A influência dos bancos se estende para outros setores do poder Executivo, como o Ministério da Fazenda. Com frequência, essas instituições consegue obter tratamentos privilegiados entre outras concessões. No poder Legislativo, os bancos financiam campanhas e têm a sua bancada. No poder judiciário tratam com mimos os magistrados, além dos lobby já mencionados. Na mídia, a sua presença é sempre marcante com anúncios fartos que sustenta a combalida impressa brasileira. A cada momento, o cidadão brasileiro indefeso é exposto às ideologias dos economistas de plantão para substanciar e escamotear os interesses do sistema financeiro. Precisamos eleger um governo de coragem para combater este enorme desvio de nossa economia
São Paulo, 01/10/2006
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