Ilha do Mosqueiro

 UM PEQUENO RESUMO DA HISTORIA DA ILHA DE MOSQUEIRO.


A ilha do Mosqueiro é um distrito administrativo do município de Belém. Mosqueiro é uma ilha fluvial localizada na costa oriental do rio Pará, no braço sul do rio Amazonas, em frente à baía do Guajará. Possui uma área de aproximadamente 212 km² e está localizada a 70 km de distância do centro da capital Belém. A melhor maneira de visitar a ilha é ir de carro. Possui 17 km de praias de água doce com movimento de maré. O nome  Mosqueiroâ  é originário da antiga prática do moqueioâ do peixe pelos indígenas tupinambás que habitavam a ilha.

A ponte Sebastião R. de Oliveira é a principal via de acesso para o distrito de Mosqueiro. Com seus 1.457,35 metros, encurtou a distância de Mosqueiro com a capital, deixando-a muito mais acessível à população e atraindo um número cada vez maior de visitantes. Antes da construção da ponte, o deslocamento até a ilha era realizado somente por navios.

Esse tipo de transporte garantiu a travessia para o outro lado do continente, por quase meio século. Com a conclusão da ponte, Mosqueiro ganhou ares de cidade grande, belas mansões e prédios. De acordo com o IBGE, caso fosse emancipada, Mosqueiro, com 28 mil habitantes, estaria entre os municípios paraenses de médio porte. Os moradores, porém, não aceitam os números do censo. Para eles, a população está em torno de 50 mil.

A Baía-do-Sol é a povoação mais antiga da ilha do Mosqueiro, uma vez que ali chegaram, ainda no século XVII, os primeiros colonizadores portugueses vindos de São Luís do Maranhão. Até o fundador da cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará, Francisco Caldeira Castelo Branco, ao deparar-se, em 1616, com a orla praiana que se abre para a baía do Sol, pensara ali instalar o primeiro núcleo de colonização portuguesa, não o fazendo pela dificuldade de desembarque das naus causada pelas enormes maresias da tarde, tão comuns naquela costa da ilha.

A instalação da Missão Myribira pelos jesuítas e o casamento de colonos com nativas da região marcam esse primeiro momento da ocupação da ilha, cujas terras, no século XVIII, seriam concedidas pelo governo imperial como léguas de sesmarias, ou seja, enormes áreas destinadas ao cultivo. Assim, surgiriam os sítios agrícolas, primeiro com o trabalho de índios escravizados e, depois, com a mão-de-obra de escravos africanos. É a época da Casa Grande e senzala. À pesca artesanal e ao extrativismo dos primeiros tempos junta-se a agricultura de subsistência, com a feitura de roças.
No início do século XIX, a ilha era ocupada pelos ribeirinhos, população mestiça, indioide, pobre, explorada, vivendo nas matas, às margens de rios e igarapés, em humildes cabanas cobertas de palha. É justamente essa população esquecida pela Regência do Império e perseguida no governo de Lobo de Souza que vai engrossar as fileiras da maior revolta popular ocorrida no Brasil: a Cabanagem.
Em 1835, quando os cabanos tomaram Belém, o governo legal da Província do Grão Pará, sob o comando do Marechal Manuel Jorge Rodrigues, ficou sediado na ilha de Tatuoca, no outro lado da baía de Santo Antônio, em frente à praia do Areião. Na época, a ilha do Mosqueiro era um reduto cabano e os rebeldes, que lutavam contra o despotismo implantado na Província, fixaram-se nas praias do Areião e do Chapéu Virado.
Depois de receber reforços de Pernambuco, o governo legalista organizou várias expedições para combater os cabanos instalados na ilha. A primeira grande batalha aconteceu no Areião, no dia 20 de janeiro de 1836, quando uma tropa de cem homens fortemente armados tentou o desembarque, mas teve de enfrentar a resistência dos revoltosos entrincheirados na praia. Após a batalha, os cabanos seguiram para o Chapéu Virado, reunindo-se aos que lá estavam fortificados.
No dia seguinte, o 2º. Batalhão de Caçadores, comandados pelo Major Manuel Muniz Tavares, desembarcava na praia do Chapéu Virado, sob a proteção de dois navios de guerra, “Independência” e “Brasília”, além de outras embarcações de pequeno calado.
Durante horas, os cabanos combateram bravamente, porém não puderam resistir ao poder de fogo e à perícia bélica dos legalistas. Abandonaram, então, as trincheiras e fugiram para as matas, onde foram perseguidos por vários dias. Ocorreram algumas escaramuças no interior da ilha e muitos cabanos morreram. Outros, entretanto, conseguiram chegar à cidade de Vigia, no continente, atravessando a baía do Sol, embora as embarcações inimigas, entrando pelo Furo das Marinhas, tentassem impedir-lhes a fuga.
O sangue dos bravos cabanos regou o solo mosqueirense, deixando sempre vivo em nosso povo o anseio de liberdade e o amor à terra.
Após esse episódio sangrento, a ilha voltou a mergulhar na sua calma habitual. Os sítios agrícolas, ao norte, floresciam impulsionados pelo trabalho escravo, extinto no dia 06 de abril de 1888. No sul, a humilde povoação de pescadores artesanais, que pertencia à Benfica, transformava-se na Freguesia de N. Srª. Do Ó, no dia 10 de outubro de 1868, e, com o crescimento da população, seria elevada à categoria de Vila, já no período republicano, em 06 de julho de 1895. Assim, como paraíso perdido, a ilha viveu por longos e tranquilos anos até que, no fim do século XIX, uma nova invasão seria iniciada.
Ingleses, alemães, franceses e americanos, que trabalhavam em Belém, nas empresas estrangeiras como a Pará Eletric, Amazon River e Port of Pará, começaram a procurar a ilha nos momentos de lazer e para o merecido repouso de fim-de-semana. Posteriormente, a elite da sociedade de Belém aderiu a esse movimento, além de comerciantes portugueses, libaneses e hebraicos, que participaram da descoberta da ilha como balneário.
Grandes palacetes e casarões, em diversas linhas arquitetônicas européias ou em estilo eclético, surgiram ao longo do litoral, em frente à baía do Marajó e em outros locais aprazíveis. São o reflexo do apogeu da borracha vivido pela Amazônia entre 1880 e 1912, quando a sociedade de Belém primava pela ostentação, luxo e modernidade. Até uma usina para o beneficiamento de borracha foi instalada na ilha em 1924: Usina Santo Antônio da Pedreira, conhecida como Fábrica Bitar. No início do século XX, Mosqueiro era transformado em Distrito da Capital (26 de fevereiro de 1901) e, seguindo a orla praiana de sul para norte, crescia a urbanização e outras praias, além do Areião e do Bispo, atraíam os banhistas: Grande, Chapéu Virado, Porto Arthur, Murubira e Ariramba. Ano após ano, aumentava a vocação da ilha para o turismo de sol e praia.
Com a criação da linha fluvial regular para o Mosqueiro, a inauguração do novo trapiche (06 de setembro de 1808) e a implantação de transporte coletivo (bondinho puxado a burro e depois por uma locomotiva a vapor e os auto-ônibus) o deslocamento de pessoas para a ilha aumentou. É a época dos grandes veraneios, quando os navios Almirante Alexandrino e Presidente Vargas, durante décadas, conduziam a população ruidosa e animada da Capital, em viagens memoráveis, principalmente nos fins-de-semana. Naquele tempo, era costume esperar a chegada do navio e receber os passageiros efusivamente com palmas, assovios, muita gritaria e sonoras vaias. A rampa do trapiche era ponto obrigatório para a moçada da época. Após o navio atracar, tudo era animação e muito colorido no vai-e-vem dos carregadores e seus carrinhos-de-mão, no corre-corre dos passageiros buscando os melhores lugares nos autolotações, na disputa pelo tacacá da Dona Ramundona, na movimentação das bonitas garotas e senhoras ostentando roupa da moda, chapéus de palha, tamancos e varetas bordadas, na música gostosa tocada no Praia-Bar convidando à dança e ao bate-papo com os amigos regado à cerveja bem geladinha.

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