DE OLHO NO PLANETA PLUTÃO
A humanidade está prestes a conhecer pela primeira vez os confins do Sistema
Solar. Na terça-feira (14/07/15), após mais de nove anos de viagem, a espaçonave
americana New Horizons deverá sobrevoar Plutão, localizado a aproximadamente 5
bilhões de km da Terra.
A essa distância, a própria comunicação com a sonda fica comprometida. Cada
troca de mensagens é precedida de um suspense cósmico: são necessárias nove
horas para uma informação ir e voltar. A New Horizons está programada para passar 12,5 mil km acima de Plutão e, durante um período de 24 horas, colher inúmeras informações sobre o corpo celeste.
Será possível obter um nível impressionante de detalhes de sua superfície. Se a espaçonave sobrevoasse a cidade de São Paulo a essa altitude, por exemplo, suas lentes seriam capazes de reconhecer o lago do parque Ibirapuera.
Concluída a missão de US$ 722 milhões, encerra-se um ciclo importante da exploração espacial.
As sondas Voyager, lançadas na década de 1970, abriram o caminho em direção às profundezas da nossa vizinhança espacial. Ao passarem por Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, proporcionaram não só um incrível ganho de conhecimento como transformaram longínquos pontos luminosos em verdadeiros mundos, repletos de formas, cores e atividade interna.
Faltava, para completar o álbum de fotografias do Sistema Solar, alcançar Plutão –e o seu "rebaixamento" à categoria de planeta anão meses após o lançamento da New Horizons não diminui em nada a relevância da missão espacial.
Descoberto em 1930, esse pequeno corpo celeste sempre foi uma anomalia. Os quatro primeiros planetas (Mercúrio, Vênus, Marte e Terra) são esferas rochosas; os quatro seguintes (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno), gigantescas bolas gasosas. E há Plutão.
Com um quinto do tamanho da Terra, uma órbita muito diferente da dos demais planetas e composto por cerca de um terço de gelo e dois terços de rocha, era uma espécie de excrescência planetária.
A descoberta de corpos de tamanho e características similares numa área denominada Cinturão de Kuiper –à qual pertence Plutão– levou à mudança de status.
Independentemente da categoria ocupada pelo astro, porém, isso não muda o fato de ele ser o representante mais notório de uma região ainda inexplorada e cujo estudo pode ajudar a entender melhor a formação do Sistema Solar.
Encerra-se, assim, um capítulo da curiosidade humana ao mesmo tempo em que se abre outro.

Agora a ciência vai desvendar mais um mistério
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