Morre a mãe da arqueologia Amazônica
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A “mãe” da arqueologia amazônica,
Betty Meggers, morreu na segunda dia
02/07/12, aos 90 anos nos EUA. A arqueólogo revolucionou o conhecimento sobre
os povos indígenas do Brasil antes de Cabral ao realizar, a partir de 1948, as
primeiras escavações sistemáticas na Ilha de Marajó (Pa.). Trabalhando com o marido, Clifford Evans, a
cientista da Smithsonia Institution mostrou que os povos os povos da foz do
Amazonas desenvolveram uma cultura material complexa, com cerâmicas elaboradas. Isso provavelmente era
resultado de ocupações densas, diferentes da baixa densidade demográfica das
aldeias indígenas atuais.
Meggers, porém, propôs que essa
relativa complexidade era resultado de migrações dos Andes, que fracassaram
por causa da pobreza do ambiente
amazônico. Essa tese, que Meggers delineou em 1971, no livro “Amazônia: A
Ilusão de um Paraíso” determinou a antropologia amazônica até os anos 1980.
Foi quando uma conterrânea, Anna
Roosevelt, então na Universidade de Chicago, começou a escavar na Ilha do
Marajó e médio Amazônia (Monte Alegre e Santarém )no estado do Pará. E propôs que
a complexidade social amazônica tinha surgido lá mesmo. O debate durou até a
morte de Menggers. “Ela perdeu essa guerra de teses por causa de sua rigidez
teórica, diz o arqueólogo Eduardo Neves, da USP.
Pesquisas nos últimos anos têm sugeridos que algumas das
idéias de Meggers sobre o povoamento da Amazônia não estava tão erradas assim.
Nascida nos Estados Unidos em
1921, Betty Meggers entrou para a Universidade da Pensilvânia, graduando-se com
título de bacharel em 1943, aos 22 anos, antes tendo atuado como voluntária no
Smithsonian Institution. Um ano após, conseguiu o título de mestre pela
Universidade de Michigan e, em 1946, o seu doutoramento pela Universidade de
Colúmbia, com a dissertação intitulada The Archaeological Sequence on Marajo
Island, Brazil, with Special Reference to the Marajoara Culture (A sequência
arqueológica da Ilha de Marajó, Brasil, com uma referência especial à Cultura
Marajoara), mostrando o grande interesse que desenvolvera pela arqueologia na
América do Sul. Ainda na Universidade de Columbia, conheceu Clifford Evans,
curador e arqueólogo, com quem se casou em 13 de setembro do mesmo ano em que
obteve o título de doutora. Clifford mais que colega e marido, tornou-se um
grande colaborador do seu trabalho, tendo viajado com ela várias vezes à
América do Sul, em expedições arqueológicas.
As idéias propostas por Betty
Meggers, continuam vigentes até os dias de hoje. Grande parte dos arqueólogos
que trabalham nas regiões da Amazônia,
se baseiam em suas teorias de adaptação humana na floresta tropical e expansão
dos povos. Betty Meggers acreditava que nenhuma população pré-histórica
conseguiria manter grandes sociedades na floresta amazônica, devido a pobreza
dos solos e a escassa quantidade de recursos. Sociedades como as encontradas na
Ilha de Marajó seriam uma conseqüência de
migrações andinas ou circum-caribenhas e, ao chegar em áreas de floresta amazônica,
teriam "involuído" e entrado em decadência. Uma outra grande
contribuição é sobre as migrações dos povos falantes do tronco lingüístico Tupi.
Ela associa que os grupos ceramistas pré-históricos fabricantes de uma cerâmica
da Tradição Polícroma da Amazônia
estariam relacionados aos povos falantes do tronco Tupi,
mais especificamente da região de Rondônia entre o rio Madeira
e o rio Guaporé.
Seu trabalho deixa um legado de
sobre a historia dos povos Amazônicos que habitaram essas terras Antes de
Cabral.
Pesquisa e colaboração:
Claudio Angelo
Roberto Arouck

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