Brasil não tem bolha imobiliária.
Não existe bolha imobiliária no
Brasil. As condições estruturais do mercado imobiliário brasileiro são muito
diferentes daqueles que existiam nos Estados Unidos quando eclodiu a crise de
2007.
Para existir bolha imobiliária, é
preciso que os preços dos imóveis estejam artificialmente inflados, o que não existe em nosso mercado. É importante
conhecer os fatos para compará-los e tirar a correta conclusão. A crise econômica norte-americana teve origem
nos chamados subprimes: os compradores de imóveis refinanciaram as suas
hipotecas lastreadas por valores irreais de mercado.
A altíssima alavancagem, tendo
como base os papéis emitidos com esse lastro irreal, fez que o sistema
desmoronasse. O que veio depois todos sabemos bem: a economia mundial sofreu um
duro golpe.
Recentemente, tivemos com representantes de importantes grupos
financeiros do EUA. Eles nos revelaram detalhes dessa desastrosa situação. Os
financiamentos para compra, correspondente a 100% do preço total do imóvel,
eram refinanciados em 100% - às vezes mais. Uma operação de altíssimo risco,
que não é praticada no Brasil.
Aqui, o cenário é bem diferente.
O consistente crescimento do setor imobiliário decorreu de fatos específicos,
com a diminuição de Texas de juros, a melhoria do poder aquisitivo de boa parte
da população e a volta do crédito imobiliário, após uma lacuna de 20 anos que
quase levou o mercado à estagnação.
Isso foi possível graça ao novo
marcos regulatórios que deu garantias a
compradores, a produtores e financiadores.
A sociedade, cuja demanda estava
represada, “foi às compras”. Buscou realizar o sonho da casa própria,
viabilizando por essas condições elementares. O mercado, então, empenhou-se em
suprir essa procura, uma vez que sua função primordial no cenário
econômico-social consiste em equilibrar a oferta e a demanda.
A produção foi retomada,
impactando o crescimento do pais e a geração de empregos em escala. Agentes
financeiros que antes não tinha o financiamento habitacional como parte
estratégica de seu negócio passaram a disputar mutuários.
Mais nada disso implicou em
relaxamento das exigências para concessão de empréstimos. Aliás, unidades 100%
financiada ainda hoje são casos raros. Em média, os financiamentos concedidos
correspondem a 60% do valor do imóvel. O cuidado na concessão do crédito, que
pode até ser exagerado, acarreta burocracia tremenda. Houve melhoras. O número
de documentos exigidos do comprador, do vendedor e do imóvel caiu de 52 para 14, mais continua
elevado, e é grade a demora em se obter toda essa papelada, principalmente por
falta de integração entre órgãos públicos expedidores.
Os cartórios ainda não estão
totalmente informatizados – ao contrários dos bancos, que investiram com força
na tecnologia.
Esse criterioso processo nos
autoriza a firmar que, no Brasil, temos “superprime”. Além disso, não temos a
cultura do refinanciamento de hipotecas.
O brasileiro valoriza a
propriedade do bem. Que quitar logo a dívida e ter a escritura do imóvel. Depois, fica livre para novos endividamentos,
pois conta com a segurança de a casa da familia, patrimônio dos filhos, está
garantida.
Na fase atual da nossa economia,
não existe espaço para aumentos significativos, mas também não há riscos de
queda de preços. O mercado deve cresce na proporção direta do desempenho da
economia. Há bolha imobiliária? Definitivamente, não.
Claudio Bernardes
Presidente do Secovi (sindicato
da Habitação)

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