CONVERSANDO COM UM INTELECTUAL (Santo Agostinho: Confissões) 1 Parte


Intelectuais não se permitem normalmente aderir sem resistência a uma crença religiosa. Costumam justificar em que baseiam o seu saber e questiona a respeito das causas das coisas. Enquanto eles experimentam uma inclinação insaciável pela explicação racional, aqueles que defendem as religiões justamente argumentam que a religião seria supérflua, caso o ser humano fosse capaz de explicar todas as coisas de forma racional.
Mais complicado ainda é o caso de um acadêmico extremamente culto e bem-sucedido que adere a uma nova religião para a qual seus pares torcem o nariz e cujos adeptos são conhecidos por seu rigor e desprezo pela filosofia. Tal encontro é conflituoso, porém freqüentemente muito intenso: ele exige do recém-convertido uma mudança radical tanto em sua orientação espiritual quanto em seu modo de vida. Raro é o caso em que a própria religião acaba por ser transformar nas mãos do convertido, assumindo uma nova forma.
As confissões do cidadão romano Aurélio Agustinho, surgidas ao fim do século IV, são testemunho de uma dessas difíceis aproximações entre um intelectual e uma religião, por meio da qual ambos se modificam. De uma carreira acadêmica, emerge um famoso doutrinador religioso. Como resultado de sua conversão, o professor universitário Aurélio Agustinho se torna um dos mais conhecidos bispos de seu tempo, ingressando na história intelectual como um dos “Padres da Igreja”. E a jovem religião do cristianismo, que se baseava em revelações e parábolas, graças ao pensamento e à interrogação do intelectual Agostinho vai experimentar um notável impulso filosófico.
O encontro de Agustinho com o cristianismo marca um dos momentos mais importantes no surgimento da teologia cristã dos primeiros tempos. Porem, também a filosofia tomará um rumo completamente novo a partir desse momento. Com Santo Agustinho, se inicia o pensamento medieval, que se concentrará em questões inteiramente novas: a existência temporal e transitória do homem, a relação entre este mundo e o além e o papel da história serão analisados dentro de novas problemáticas. A partir de Santo Agustinho, a filosofia se colocará a serviço da teologia. (cabe ressaltar que início do Cristianismo a Igreja Primitiva acreditava em reencarnação. A igreja aceitou e pregou a reencarnação até que um concílio em quinhentos e pouco, o baniu da igreja. Há quem diga, mas não temos provas, que a reencarnação foi banida a pedido de uma imperatriz, Theodora, ou Theodósia, que por ter uma vida de luxo e maldades de todas as ordens, temia ter que reencarnar pobre ou escrava, ou doente. Não existem ao que saibamos documentos que provem isto. Jesus afirmou que João era Elias, e só podia ser reencarnado. Disse a Nicodemos que, quem não nascesse de novo não poderia ver o Reino de Deus. Não admoestou os discípulos quando perguntaram se foi o homem cego ou seus pais que pecou para que ele fosse cego, portanto, se ele tinha possibilidade de pecar antes de nascer, só poderia ser em outra vida. O Cristianismo primitivo era sim, reencarnacionista, como era pneumático (depneuma, igual a sopro – espírito), ou mediúnico, e foi apenas com a instituição da Igreja Católica Apostólica Romana, no 4º século, que essas idéias foram retiradas da Doutrina Cristã.
Muitos anos antes de sua conversão, Santo Agustinho já se confronta com o Cristianismo. Sua mãe, Mônica, era cristã e nunca abandonara a esperança de atrair o filho para sua fé. Ela também logrará batizar o pai de Santo Agustinho, Patrício, um modesto funcionário romano da cidade norte - africana de Tagaste, hoje Argélia. Porém, seu principal objetivo era seu próprio filho. Enquanto os principais esforços do pai voltavam-se, sobretudo, para assegurar ao filho uma carreira e ascensão social por meio de uma boa educação, as ambições da mãe iam muito mais longe: ela projetava todas as suas esperanças existências no filho, buscando influenciar seu desenvolvimento espiritual e religioso.
A ambição do filho era tão grande quanto a da mãe, mas seu objetivo inicial era pavimentar seu caminho profissional. A educação clássica era um dos meios mais valorizados para isso, a retórica era a disciplina acadêmica básica: ela era condição para que qualquer instituição social, fosse na política, no direito ou na universidade, pudesse ser capaz de defender com sucesso uma causa por meio de um discurso improvisado, encandeando-se a argumentação de forma articulada. Seu estudo de retórica na vizinha Catargo levou Agustinho a abandonar a casa dos pais, os quais fariam grandes sacrifícios pessoais para financiar sua formação. Após concluir seu estudo e ser tornar professor em Catargo, Agustinho também abandonará a província norte – africana para dar um grande salto em sua carreira na direção do coração do império: ele seguiu para Roma e, finalmente, para a sede imperial em Milão. Agostinho amava o sucesso mundano, porém havia adquirido educação clássica não por necessidade profissional, mas por que cultivava apaixonadamente. Havia se tornado um grande conhecedor da literatura em sua língua materna, o latim. O seu gosto artístico se moldou na Eneida de Virgilio, obra que durante mus anos ele lia diariamente. Aos 19 anos, Hortensius, de Cícero, indroduzio-o nas questões da filosofia antiga. Na sua visão de então, os evangelhos cristãos eram muito inferiores do ponto de vista estilísticos às obras da literatura romana, incluindo, além disso, muito absurdos filosóficos: um deus que, que ao mesmo tempo, se tornou homem? O qual, embora todo-poderoso e todo bondade, permitiu o mal? Um mundo que foi “criado e portando, teve de ser “começado” certo dia?
As respostas que lhe pareciam mais convenientes eram as dos maniqueístas, uma comunidade religiosa que pretendia seguir o profeta persa Mani e que contava com adeptos influentes no Império Romano tardio. Os maniqueístas concebiam o mundo dominado por um dualismo, ou seja, por princípios distintos que lutavam entre si: o principio do Mal e o principio do Bem. (o mal é uma retórica humana – vejamos, se o universo foi criado por Deus que é personificação do amor, como teria criado o mal? O mal é o resultado do nosso livre arbítrio, são as nossas atitudes dos caminhos desvirtuado do amor que nos leva ao mal. O mal é o resultado de nosso processo carnal como ser pouco evoluído na compreensão do bem e do amor no caminhar de nossa evolução espiritual.) Eles entendiam que o mundo era uma luta eterna entre o reino do Bem e o reino do Mal. Os maniqueístas atraiam Santo Agustinho, sobretudo por duas razões: eram capazes de explicar a existência do Mal no mundo e se mostrava abertos à filosofia antiga, por valorizar a razão.
Ambas as razões atraiam Santo Agustinho. Mas havia também outra pela qual ele permaneceu adepto dos maniqueístas por nove anos. Estes últimos constituíam em meio às instituições romanas um forte círculo de influências: uma rede de relações que foi muito útil a Santo Agustinho em sua carreira acadêmica.
Fora justamente sua relação com os maniqueístas que lhe facilitara seu cargo de professor de retórica na sede imperial em Milão. Esperava-se que ele fizesse oposição ao bispo cristão, Ambrósio, que residia na cidade. Contrariamente, porém, o encontro com Ambrósio conduziu-o à adoção do credo cristão, patrocinada ardentemente por sua mãe, a qual, entrementes, havia se mudado para a Itália, acompanhando o jovem acadêmico.
Originário de Trier, Ambrósio, um dos mais famosos doutores da Igreja dos primeiros tempos do cristianismo, impressionou fortemente o intelectual Santo Agustinho pelo modo como defendia a crença cristã com base em argumentos filosóficos. Ambrósio havia sido influenciado pelo neoplatonismo, uma corrente do século III desenvolvida pelo filósofo Plotino, que havia elaborado a filosofia de Platão dentro de uma vertente mística. Plotino sustentava que a realidade como um todo teria sido penetrada pelo “Uno”, um princípio espiritual que se “espraiaria” em graus distintos pela realidade e participaria das coisas. (o princípio vital, a centelha divina que permeia o universo hoje chamada na física quântica de energia escura, força escura) Sobretudo, porém, o platonismo fornecia uma explicação para o Mal completamente distinta daquela dos maniqueístas: o Mal seria aquilo que se distancia do princípio original e espiritual, do Bem, o que quase não foi penetrado pelo “Uno”. (o Mal seria a falta do Bem, - a antítese do Bem) Este seria o caso antes de tudo, das coisas materiais. Ainda nas Confissões, Santo Agustinho defenderá essa explicação neoplatônica do Mal, na qual ele ira identificar o “Uno” neoplatônico com o Deus Cristão. (o ser humano como ser espiritual pouco evoluído ainda não possui a capacidade de definir o que é Deus – só podemos conjecturar dentro dos nossos parcos conhecimentos com uma visão humana carnal e material alguns princípios de Deus. Na realidade o nosso cérebro ainda não está bastante desenvolvido para conceber Deus plenamente).
A conversão de Santo Agustinho Aconteceu em 386, quando ele tinha exatamente 32 anos. Ela foi um momento decisivo, a partir do qual a vida se modificou radicalmente. Agustinho não apenas abandonou sua atividade de professor de retórica como escolheu o modo de vida celibatário, advogado por muitos cristãos primitivos. Juntamente com alguns amigos, decidiu levar uma vida solitária, quase monástica. Inicialmente, elese se retiram para uma herdade em Cassicíaco, situada nos arredores de Milão, para ali se aprofundarem nas questões religiosas e iniciarem uma nova vida. Apenas um ano depois é que Santo Agustinho batizou-se oficialmente, em Milão.
No Império Romano tardio, o cristianismo havia evoluído de uma seita oriental para se tornar a religião mais influente do reino. Sob o imperador Constantino, em 313, o Estado garantiu aos cristã tolerância religiosa, e cinco anos após a conversão de Santo Agustinho em 391, o cristianismo se tornou oficialmente a religião de Estado. A elite romana instruída, entretanto, olhava com desprezo essa religião plebéia e filosoficamente imatura. Pessoas educadas aderiam envergonhadas ao cristianismo, ou mesmo secretamente. Até no próprio palácio imperial o cristianismo tinha adversários. Santo Agustinho sabia que ser cristão não era algo imprescindível para a carreira acadêmica. Mas ele provavelmente percebia que, no futuro, essa religião se tornaria uma força espiritual considerável, oferecendo-lhe, a ele que era um intelectual ambicioso e orgulhoso, a possibilidade de ser tornar notavelmente influente.
Essas possibilidades se apresentaram logo que ele retornou à sua pátria norte-africana. Por pressão dos cristãos locais, ele inicialmente se ordenou padre, e logo em seguida foi sagrado bispo da cidade de Hipona Régia. Desse modo, ele se tornou o representante oficial do cristianismo, tendo forçosamente que se posicionar nas controvérsias públicas sobre teologia. As confissões surgem nesses primeiros anos como bispo, entre 397 a 401.
As confissões foram parte de uma luta para concretizar a pretensão da Igreja católica de ser a única representante do cristianismo contra as demais orientações religiosas cristãs, mas também parte uma luta, conduzida por Santo Agustinho, para fazer valer suas próprias posições dentro da Igreja. Ele escreveu o livro durante o pouco tempo livre de que dispunha. Como bispo, além dos deveres relativos à assistência religiosa, tinha de viajar grandes distâncias para participar de encontros com representantes da Igreja. O fato de ser bispo de uma jovem igreja, ainda não consolidada em termos estruturais implicava um grane engajamento.
Entre a experiência da conversão e a redação das confissões passaram-se mais de dez anos, nos quais ocorreram grandes mudanças não Sá na vida de Santo Agostinho, mas também em seu pensamento. Do retórico clássico, instruído, surgiu um teólogo; do amante da cultura antiga, um ardente adversário da educação mundana. O intelectual de carreira havia se transformado em um intelectual a serviço da Igreja.
Nas confissões, Santo Agostinho expõe a história de sua vida até sua conversão. Mas não se trata de uma autobiografia comum. O último capítulo do livro não tem mais nada a ver com a vida do autor, dedicado inteiramente a explicar a historia bíblica da Gênese. O significado da palavra latina confessio é múltiplo: significa reconhecimento de pecados no sentido de uma confissão e, ao mesmo tempo, confessar uma crença e louvar a Deus. As confissões abarcam todos esses significados. Elas são um livro missionário, cuja força própria desenvolve-se a partir do momento em que é lido em voz alta para os ouvintes, como era o hábito na época de Santo Agostinho.
O livro contém pelo menos três áreas temáticas interligadas, ou problemática teológica, ou seja, a interpretação da doutrina cristã empreendida por Santo Agostinho; estreitamente relacionada com ela, a história de seu próprio desenvolvimento espiritual e pessoal até a sua experiência de conversão; e, finalmente, questionamentos filosóficos, que se estendem bem além da teologia e influenciam até hoje a filosofia ocidental.
As confissões de Santo Agostinho são também confissões feitas a partir de uma determinada perspectiva. Sua própria história deveria servir como exemplo para angariar adeptos e para propagar uma visão particular da fé. A experiência da conversão se encontra na parte central do livro. Tudo o que houve antes confluirá para esse acontecimento e tudo o que virá depois será descrito como sua decorrência. Santo Agostinho descreve sua conversão ao cristianismo como um processo que teria se desenrolado por meio de árduos conflitos íntimos durante muitos anos e que culminaram em uma espécie de iluminação. As confissões descrevem a vida de Santo Agostinho antes de sua conversão como um processo de revelação da fé encenado magistralmente por Deus. (Santo Agostinho queria ser visto como São Paulo que segundo a Bíblia sofreu o processo revelador divino com aparição do próprio Jesus convocando para doutrina cristã).A obra já inclui boa parte daquilo que mais tarde será adotado pela teologia cristã como doutrina agostiniana. Exerceram grandes influencia sobre essa doutrina os escritos do apóstolo Paulo, que durante o século I havia difundido a nova religião na região mediterrânea e cujas epístolas missionárias haviam sido incorporadas ao novo Testamento. Havia muito em comum entre São Paulo e Santo Agostinho: ambos eram intelectuais que embora houvessem se convertido tardiamente ao cristianismo, tinham deixado sua marca filosófica nessa jovem religião. Não foi fortuito o fato de que Santo Agostinho considerasse sua conversão estreitamente relacionada à leitura dos textos de São Paulo.
Influenciado por São Paulo, Santo Agostinho defendeu em suas confissões sobretudo as teses fundamentais da doutrina teológica: a doutrina da predestinação ou da graça, e a doutrina do pecado original. Não seríamos dignos do céu devido às nossas obras, mas apenas graças a vontade divina. Pela vontade divina estariam predestinados, ou seja, estariam previamente determinados aqueles que seriam admitidos no céu e aqueles condenados ao inferno (está visão de céu e inferno é ainda a influência do maniqueísmo que dualizava entre o bem e o mal. Santo Agostinho não considerou a ideia central de diversos sistemas filosóficinalos e religiosos, segundo a qual uma porção do Ser é capaz de subsistir à morte do corpo. Chamada consciência, espírito ou alma, essa porção seria capaz de ligar-se sucessivamente a diversos corpos para a consecução de um fim específico, como o auto-aperfeiçoamento ou a anulação do carma, no cumprimento da justiça divina).Poucos seriam os escolhidos, e ninguém o teria merecido. Essa escolha divina e aparentemente arbitrária só poderia ser justificada por Santo Agostinho caso ele admitisse igualmente que nenhum homem poderia ser digno de ser recebido por Deus graças aos seus próprios méritos. O fudamento para essa suposição se encontra na teoria do pecado original. (O pecado original faz parte da doutrina judaiga e, entre outros objetivos, pretende dar explicações sobre a origem da imperfeição humana, do sofrimento e da existência do mal. Segundo esta doutrina, e baseando-se no relato bíblico do livro do Gênesis, os primeiros seres humanos e antepassados da humanidade, Adão e Eva, foram advertidos por Deus de que, se comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, no mesmo dia morreriam, o que fizeram tendo sido instigados pela serpente, tendo Eva aceitado a instigação primeiro e oferecido a fruta a Adão, que aceitou. No entanto continuaram vivos, mas foram expulsos do Jardim do Éden ou Paraíso. Existem polêmicas quanto ao significado dessa narrativa, bem como em que constituiria tal pecado original, se é que seria realmente algum -algumas denominações cristãs chegam mesmo a negar a sua existência. Na perspectiva cristã, contudo, a morte (imerecida) de Cristo é recorrentemente suposta como necessária para salvar os seres humanos desse "pecado de origem" que seria congênito, de geração em geração. Nenhum trecho bíblico traz esclarecimentos que pusessem fim à essa que é uma das maiores diatribes cristãs. As doutrinas sobre este pecado têm sido historicamente um dos principais motivos de cismas, heresias e divisões entre os cristãos desde os séculos iniciais do cristianismo e várias hipóteses divergentes sobre o significado da narrativa existem também entre estudiosos laicos do texto (antropólogos, sociólogos e outros).
Santo Agostinho acreditava que o homem era mau por natureza, e essa maldade era evidente já durante a infância. Portanto, era somente a graça divina que escolheria alguns para a remissão de seus pecados, sem que para tal houvesse algum motivo racional ou mérito. Deus teria feito essa escolha ainda antes do nascimento de cada um de nós. (O homem não é mau por natureza, pois é filho de Deus e como tal não poderia ser mau por natureza. A maldade no homem é proveniente do seu livre arbítrio – Deus deu inteligência e consciência ao homem para saber distinguir o bem do mau. (Quando comeis em excesso, isso vos faz mal. Pois bem! Deus dá a medida daquilo que precisais. Quando a ultrapassais, sois punidos. Ocorre o mesmo com tudo. A lei natural traça para o homem o limite de suas necessidades; quando a ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Se o homem escutasse, em todas as coisas, a voz que diz basta, evitaria a maior parte dos males de que acusa a natureza (pergunta 633 do Livro dos Espíritos).
Essas teses foram fortemente debatidas na Igreja cristã dos primeiros tempos e tiveram de ser muitas vezes defendidas em sermões e textos polêmicos. Mas Santo Agostinho acreditava ter fortes argumentos em favor da teoria da graça: sua própria vida. (É bem conhecido que a teoria da graça comum nega que o homem tenha morrido quando comeu do fruto proibido. De acordo com essa teoria, o pecado e a morte foram imediatamente contidos após a queda, e a morte não foi infligida no mesmo dia em que Adão caiu e comeu do fruto proibido. A palavra do Senhor, "no dia em que dela comeres, certamente morrerás," não deve ser entendida como uma ameaça de punição que o próprio Senhor executaria, mas antes como uma predição que inevitavelmente teria se seguido se o homem comesse da árvore proibida e caísse da presença do Deus vivo. Quem quer que peque se aparta do Deus vivo, e, portanto, não pode viver. Ele deve morrer, a menos que a graça maravilhosa de Deus intervenha e corte a conexão causal entre pecado e morte, eternamente ou por um tempo.De acordo com a teoria da graça comum, a maravilha da graça de Deus interveio. Deus predisse que o homem morreria no dia em que comesse da árvore proibida. Nessa predição o Senhor falou a verdade, pois existe uma conexão inseparável, de acordo com a própria ordenança de Deus, entre pecado e morte. Quem tomar veneno deve morrer, e quem se opor ao Deus vivo deve também necessariamente perder sua vida. Embora o Senhor nesse sentido tenha falado a verdade absoluta quando disse que o homem morreria no dia em que comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, todavia, em sua grande misericórdia o Senhor interveio para que o homem não morresse no dia em que caiu. Essa intervenção, pela qual o homem não sofreu a punição do pecado no momento em que comeu o fruto proibido e caiu da presença de Deus, é a operação da graça comum, da qual todos os homens participam) (Herman Hoeksema) Pois, sendo homem mundano e pecador, não fora, contra todas as expectativas, acolhida por Deus? Ele estava profundamente convencido de sua própria conversão era uma prova irrefutável do perdão divino. Nessa perspectiva, tratava de explicar episódios recolhidos de sua infância e juventude. Valores Moras, que hoje consideramos comuns, aqui se destaca como pano de fundo.
Assim, ele se esforça por caracterizar como maus os seus próprios desejos e suas necessidades infantis, de modo a poder apoiar sua tese sobre o pecado original e a má natureza do homem. Enquanto em poças palavras ele passa por cima do fato de que ele se separa de forma brusca de sua companheira de muitos anos em Milão, ao mesmo tempo em que lhe retirara o filho comum, no segundo capítulo ele descreve exaustivamente o famoso roubo de peras que cometera quando jovem, junto com seus amigos. Para Santo Agostinho, importante nessa travessura infantil e inocente era o fato de que não houvesse motivo para o roubo: ele não acontecera porque estivesse com fome ou por que as peras fossem especialmente saborosas. “não havia nenhum ou outro motivo para minha maldade, a não ser a minha própria maldade” assim explica Santo Agostinho. De acordo com ele, sua maldade inata era evidente e ninguém seria menos digno de ser acolhido por Deus do que ele próprio. E no entanto, isto acontecera.
Na descrição de suas “más” inclinações, a sexualidade desempenhou um papel significativo. A história sempre repetida de que Santo Agostinho teria levado uma vida devassa não encontra nenhum respaldo nas Confissões. Por tudo o que sabemos, Santo Agostinho tiveram uma vida sexual normal. Mas era para ele um problema o fato de que se habituara ao sexo, enquanto a vida cristã estava ligada à exigência da castidade. (, Santo Agostinho afirma que o meio mais apropriado de assegurar a santa castidade é a humildade. Diz que se fala de “algo tão santo e grande, que se torna necessário cuidar ao máximo para evitar o perigo do orgulho”. Ao lembrar as palavras da Sagrada Escritura, que dizem que “quanto maior és, mais deve humilhar-te em todas as coisas, e acharás graça diante de Deus” (Eclo 3,20), ele escreve: “com a continência perpétua e principalmente a virgindade é tão grande bem entre os santos de Deus, esse devem guarda-lo com a máxima vigilância, para não o ver corrompido pela soberba”. “Logo, a guardiã da virgindade é a caridade, e a morada dessa caridade é a humildade” (AGOSTINHO, Santo: A Santa Virgindade. São Paulo: Paulus, 2000. p. 141 e 166).)
(A castidade deve ser encarada com forma de purificação espiritual já que o sexo base da carnalidade e como ser primitivo que necessita do sexo para se reproduzir e se multiplicar na face da terra. O sexo em si é uma coisa natural do ser humano, necessário para permanência humana. Como espírito, não necessitamos do sexo por isso só os espírito reencarnados mais evoluídos superam a força carnal do sexo. A prática da castidade deve ser encarada como forma de sublimação do corpo e do espírito, uma elevação espiritual.)( Os Espíritos encarnam como homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, assim como cada posição social, lhes oferece provas, deveres especiais e a ocasião de adquirir experiência. Aquele que encarnasse sempre como homem apenas saberia o que sabem os homens (livro dos espíritos pergunta 202).

Continua a 2 parte ....

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